
Um levantamento inédito conduzido pelo instituto PoderData entre os dias 18 e 20 de julho de 2026 revela que a determinação do magistrado do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, que proibiu qualquer tipo de contato entre o senador Flávio Bolsonaro e o ex-presidente Jair Bolsonaro, gerou uma cisão no eleitorado brasileiro. Entre os 55% dos cidadãos que tomaram conhecimento da penalidade, 45% a classificam como “certa”, enquanto 42% a julgam “errada”, com 13% de abstenções nas respostas.
O veto, estipulado até o encerramento do primeiro turno das eleições, é desconhecido por 39% da população, ao passo que 6% preferiram não opinar. O estudo demoscópico ouviu 2,5 mil pessoas por telefone fixo e móvel em 147 municípios de todos os estados e do Distrito Federal, operando com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos e grau de confiabilidade de 95%. Por não se tratar de sondagem de intenção de voto, a consulta dispensou registro formal na Justiça Eleitoral.
A sanção decretada em 13 de julho decorreu da interpretação de que houve quebra das cautelares impostas ao ex-mandatário após a divulgação de um vídeo em que o filho lê uma carta de apoio do patriarca à sua pré-candidatura ao Planalto. Segundo o ministro, a manobra burlou a proibição de uso das redes sociais por vias indiretas.
“Utilizando-se do seu direito de visita, Flávio Nantes Bolsonaro obteve uma carta do investigado Jair Messias Bolsonaro, com a exclusiva finalidade de divulgá-la nas redes sociais”, sentenciou Moraes.
Em contrapartida, os advogados de defesa argumentaram que o ex-presidente ignorava a intenção do parlamentar de expor o documento publicamente nas plataformas digitais.
“A referência feita pelo senador Flávio Nantes Bolsonaro durante a leitura do documento traduz manifestação por ele proferida e não corresponde à circunstância previamente conhecida pelo peticionário. A circunstância de a carta ter sido posteriormente divulgada em redes sociais decorreu de decisão adotada sem que houvesse prévia ciência do peticionário”, alegou a equipe jurídica.
Na sexta-feira (17), a restrição a visitas de Flávio foi prorrogada até o pós-primeiro turno, acompanhada de um bloqueio generalizado aos demais visitantes pelo período de trinta dias. Moraes argumentou que o ex-chefe do Executivo perdeu os direitos políticos em virtude de condenação por tentativa de golpe e vedou encontros com propósitos eleitorais até o fim do pleito. “Patente, portanto, o desrespeito de Jair Messias Bolsonaro à medida cautelar, cuja fiel observância é requisito obrigatório para o cumprimento da prisão domiciliar humanitária”, fundamentou. Na segunda-feira (20), a defesa protocolou recurso tachando a medida de “manifestamente desproporcional”.
Especialistas avaliam ao Poder360 que o caso vai muito além de uma simples cautelar, enfraquecendo a capacidade do bolsonarismo de capitalizar o principal cabo eleitoral do grupo e, simultaneamente, alimentando o discurso de hostilização institucional sustentado pela base conservadora. O caso ainda suscita comparações com o período em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve detido (2018–2019) e recebeu dezenas de autoridades, contrastando com o veto recente a reuniões políticas, como a tentativa de encontro entre Jair Bolsonaro e o líder argentino Javier Milei.
O cruzamento de dados do instituto expõe assimetrias na percepção pública conforme o perfil do eleitor:
Gênero: O público feminino demonstra maior adesão à restrição, com 50% de avaliações “certas” frente a 37% de “erradas”. Entre os homens, predomina o ceticismo: 47% reprovam a decisão (“errada”) e 41% a apoiam (“certa”).
Geografia: O Nordeste concentra os maiores índices de concordância, atingindo 54% de aprovação e 34% de rejeição. A tendência se inverte no Centro-Oeste (43% de avaliações favoráveis contra 49% contrárias) e na região Sul (40% a favor versus 47% contra).
Escolaridade: O estrato com menor grau de instrução (ensino fundamental) lidera o endosso à ordem do STF, registrando 49% de opiniões “certas” e 39% de “erradas”.