
Pouco tempo após o término do julgamento sobre o falecimento do pequeno Henry Borel, Monique Medeiros voltou a ser vista em postagens do Instagram. Em registros divulgados por sua prima, Ana Paula Medeiros Pacheco, a professora aparece descontraída e sorridente em uma confraternização de família em um restaurante.
Os stories exibem Monique acomodada à mesa ao lado de familiares e pessoas próximas. Em determinado trecho, ela ergue uma taça para celebrar a data festiva da parente. “Vamos brindar! Viva a minha maravilhosa prima”, legendou Ana Paula no trecho compartilhado.
Essa exposição pública acontece cerca de trinta dias após a saída de Monique do cárcere. No começo do mês de junho, os integrantes do júri descartaram a tese de assassinato intencional (dolo), reclassificando a conduta dela para homicídio involuntário (culposo). A genitora de Henry também recebeu uma condenação de 16 meses por não ter intervindo frente aos atos de violência sofridos pelo garoto; contudo, a punição foi declarada extinta em razão do tempo em que ela já havia ficado detida preventivamente. Ao encerrar a sessão, a magistrada Elizabeth Machado Louro conferiu o perdão judicial à educadora.
A professora e seu companheiro à época, o médico e ex-parlamentar municipal Jairo Souza Santos Júnior (conhecido como Dr. Jairinho), foram detidos na fase inicial das investigações, em abril de 2021, aproximadamente um mês depois do óbito do garoto, ocorrido em 8 de março daquele ano. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) chegou a revogar a custódia cautelar de Monique em agosto de 2022, permitindo que ela acompanhasse a ação penal em liberdade, mas uma nova ordem de prisão foi cumprida antes do julgamento popular.
Na sessão promovida pelo Tribunal do Júri do Rio de Janeiro, Jairinho recebeu uma pena fixada em 43 anos, nove meses e 20 dias de reclusão. O corpo de jurados o responsabilizou pelo homicídio com duas qualificadoras, além de uma das agressões de tortura apuradas na ação judiciária. Encarcerado desde 2021, o ex-político permaneceu na prisão após o veredito.
O processo legal, entretanto, segue sem conclusão definitiva:
Ministério Público: Recorreu da decisão com o objetivo de cassar o perdão concedido a Monique.
Defesa de Jairinho: Ingressou com pedido para anular a sessão do júri.
Até a última atualização do trâmite, as solicitações das partes ainda aguardavam apreciação do Poder Judiciário.
O garoto tinha apenas quatro anos de idade quando perdeu a vida no imóvel onde residia com Monique e o ex-vereador, situado no bairro da Barra da Tijuca, Zona Oeste carioca. A tragédia mobilizou a opinião pública em todo o país e motivou, posteriormente, a aprovação da Lei Henry Borel, criad para combater e prevenir a violência doméstica praticada contra o público infantil e infantojuvenil.