Saiba como as cinzas de Preta Gil viraram diamante para família Gil

O exemplar fabricado especialmente para a família Gil passou por todo o procedimento em solo nacional

24/07/2026 às 10h53 Atualizada em 24/07/2026 às 10h53
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos Fonte: Metrópoles
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Reprodução: Redes Sociais
Reprodução: Redes Sociais

A vontade expressa por Preta Gil de ter parte de suas cinzas transformadas em diamantes causou grande comoção popular ao ser resgatada na obra documental "Preta — Eu Não Ando Só", exibida pela TV Globo e disponibilizada no catálogo do Globoplay. Para além do tributo à artista, a revelação despertou a curiosidade sobre as etapas tecnológicas capazes de converter resíduos da cremação em gemas preciosas.

O exemplar fabricado especialmente para a família Gil passou por todo o procedimento em solo nacional. Ao contrário das pedras encomendadas por amigos próximos, o artefato da família teve 100% de seu desenvolvimento feito no Brasil, dispensando a necessidade de envio da matéria-prima para laboratórios estrangeiros.

Na visão de Mylena Cooper, especialista em tanatologia e consultora em processos de luto e celebração da memória, com exclusividade à coluna de Fábia Oliveira, a visibilidade trazida pela artista ajuda a ilustrar a maneira como os recursos tecnológicos modernos vêm enriquecendo as cerimônias de despedida.

O Processo Científico de Transformação das Cinzas

De acordo com a especialista, a criação do mineral tem início com a extração do carbono remanescente dos restos cremados. O substrato passa por rigorosas etapas de purificação até que os elementos secundários sejam completamente eliminados.

Em seguida:

  1. Transformação em Grafite: O carbono purificado é convertido em grafite.

  2. Método HPHT: A substância é submetida a ambientes altamente controlados de elevada pressão e temperatura. O procedimento, conhecido internacionalmente pela sigla HPHT (High Pressure High Temperature), reproduz em ambiente fabril os mesmos parâmetros encontrados no interior da Terra para a gestação natural de uma gema.

  3. Formação e Acabamento: O arranjo dos átomos de carbono é reestruturado, gerando a pedra em estado bruto. Por fim, o elemento passa pelas fases de lapidação, polimento e atesto de autenticidade.

O resultado do processo é um diamante sintetizado que carrega rigorosamente as mesmas características físico-químicas de uma joia extraída da natureza. Além da numeração única de autenticação, o mineral pode receber uma marcação microscópica a laser contendo o nome da pessoa homenageada, uma gravação imperceptível a olho nu, visível apenas por lentes de alta ampliação.

O Luto sob a Ótica da Memória Material

Para Mylena Cooper, a posse de uma peça memorialística não elimina a saudade nem encerra o período do luto. A virtude desse símbolo reside em eternizar a trajetória individual através de um artefato tangível, formulado de acordo com a vontade prévia da pessoa ou do desejo de seus entes queridos.

“Humanizar o luto não é negar a dor. É reconhecer que, mesmo diante da morte, ainda existem amor, história e memória”, afirmou à coluna Fábia Oliveira.

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