
A ex-parlamentar federal, Carla Zambelli, divulgou uma gravação nesse último domingo (26) para contestar as declarações do congressista italiano Angelo Bonelli e assegurar que o Judiciário da Itália possui total conhecimento de sua localização. “Desde que fui libertada, permaneço na Itália. Meu endereço é conhecido das autoridades italianas. Tenho uma residência fixa, e estou cumprindo rigorosamente todas as determinações da Justiça italiana. Não há absolutamente nada de clandestino na minha situação”, declarou Zambelli.
Bonelli esteve em solo brasileiro na semana passada e declarou, na quarta-feira (22), que o paradeiro de Carla Zambelli seria desconhecido e que ela estaria no aguardo do pleito de outubro na expectativa de obter um eventual perdão judicial, caso Flávio Bolsonaro (PL) assuma o Palácio do Planalto.
“Isso simplesmente não é verdade”, rebateu a ex-deputada diante da suspeita de ter evadido. “Não sou uma fugitiva, cheguei à Itália em busca de proteção, em um país do qual também sou cidadã. Estou exercitando um direito que a lei me garante”. A ex-congressista sustentou ainda sofrer retaliações “pela pessoa que hoje, na prática, manda no Brasil”, sem mencionar nominalmente o alvo, em uma alusão indireta ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. “É esta perseguição que me trouxe até aqui. Não devo nenhuma satistação ao Bonelli, mas sinto dever a vocês, que rezaram por mim. É por respeito a vocês que estou gravando este vídeo”, concluiu.
Com duas condenações criminais no Brasil, Zambelli deixou o país rumo ao território europeu e acabou detida em julho de 2025. O parlamentar italiano Angelo Bonelli atribui a si a comunicação do endereço da brasileira às forças policiais locais.
Em maio, a Corte de Cassação de Roma, órgão máximo da magistratura italiana, analisou o pedido de repatriamento relativo à pena por cumplicidade no ataque hacker ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), cassou os vereditos anteriores e ordenou a soltura da brasileira.
Atualmente fora da prisão na Itália, a ex-deputada aguarda o desfecho de um segundo requerimento de extradição formulado pelo Brasil, este ligado ao crime de porte não autorizado de armamento. A mais alta instância judicial da Itália ordenou o reinício das etapas processuais, devolvendo a demanda à Corte de Apelação de Roma.
A nova sessão de julgamento referente ao repatriamento de Zambelli no tribunal italiano permanece sem cronograma definido. Na primeira ação, associada ao ataque cibernético ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a Suprema Corte italiana avaliou que o ministro Alexandre de Moraes não apresentava a imparcialidade necessária para conduzir o caso, por figurar como lesado pela infração.
Já no procedimento referente ao armamento, os magistrados europeus afastaram a tese de “perseguição política”, determinando a refação do rito tão somente por ausência de garantias formais sobre a prestação de assistência médica adequada à ex-deputada na Penitenciária Feminina do Distrito Federal (Colmeia), local para onde será encaminhada em caso de repatriamento. De acordo com o entendimento da Justiça italiana, o quadro de saúde da brasileira é “complexo e multifacetado”, exigindo supervisão e tratamento clínico especializado e contínuo.