
A Fundação Cacique Cobra Coral anunciou a suspensão da parceria que mantinha com a Argentina após as declarações do presidente Javier Milei contra o Brasil. Segundo a instituição, a decisão foi motivada pelas críticas feitas ao país durante a convenção nacional do PL, realizada no último fim de semana, em São Paulo.
Em comunicado, a fundação afirmou que a assistência climática prestada aos argentinos existia desde a Guerra das Malvinas, em 1982, e que permanecerá interrompida até que haja um pedido oficial de desculpas. "Ocorreu um ataque político ao nosso país e, enquanto não houver um pedido formal de desculpas, na área climática, a Argentina estará por sua conta e risco em pleno início da atuação do fenômeno El Niño", declarou.
A instituição também relembrou uma suposta atuação realizada em 1989 para ajudar a Argentina durante uma grave crise energética. Segundo a fundação, uma operação mística teria sido conduzida para favorecer a ocorrência de chuvas e elevar o nível das bacias hidrográficas utilizadas pelas hidrelétricas do país. Agora, a entidade ressalta que o El Niño deverá provocar chuvas acima da média em regiões argentinas banhadas pelos rios Iguaçu, Paraná e Uruguai.
A reação ocorre após Milei discursar na convenção do PL, evento que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República. Durante sua participação, o presidente argentino criticou o governo Lula, afirmou que o Brasil vive um cenário de perseguição política e voltou a atacar o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
As declarações provocaram resposta do governo brasileiro. O Itamaraty convocou o embaixador da Argentina para prestar esclarecimentos e classificou as falas como um episódio sem precedentes nas relações entre os dois países. Além disso, a Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PV e PCdoB, apresentou uma notícia de fato à Procuradoria-Geral Eleitoral pedindo investigação sobre a participação de Milei no evento político.