Roteiro de “Elize: sombras de uma mulher” foi imparcial?

Filme recém-chegado à Netflix revisita os bastidores de um crime que estampou as páginas policiais do país

29/07/2026 às 18h49 Atualizada em 29/07/2026 às 21h46
Por: Flávio Melo
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Foto: Ana Pazian/Netflix
Foto: Ana Pazian/Netflix

Há histórias que o tempo não consegue arquivar. Por serem exploradas à exaustão pelos noticiários, elas permanecem vivas na memória coletiva e ocupam um lugar desconfortável no imaginário popular. O assassinato de Marcos Matsunaga é uma delas. Quase 15 anos depois, ainda provoca a mesma dúvida: como uma relação aparentemente perfeita terminou de forma tão brutal?

Em vez de transformar o crime em um espetáculo sensacionalista, "Elize: sombras de uma mulher" escolhe um caminho diferente, abandonando a curiosidade para investigar as fissuras de um relacionamento sustentado por sucessivas decepções. Não há interesse em encontrar culpados. O foco está em compreender como uma sucessão de rupturas pode culminar em uma fatalidade irreversível.

A direção de Felipe Vellas conduz a narrativa com sobriedade, enquanto o roteiro de Mariana Torres e Raphael Montes, autor de “Beleza fatal” (HBO Max), evita deduções simples. A trama acompanha a ascensão de Elize, da infância difícil ao casamento com um dos empresários mais ricos do país. Uma relação marcada por manipulações que se desintegrava a cada desgaste emocional.

Lorena Comparato entrega uma interpretação segura, sustentando uma protagonista que jamais é retratada como heroína ou vítima absoluta. Henrique Kimura também encontra nuances para compor Marcos, impedindo que o enredo caia no maniqueísmo. Miwa Yanagizawa, no papel de sogra da protagonista, fala com o olhar. Já a participação de Denise Weinberg, atesta que mesmo um true crime, que geralmente se sustenta pelo fascínio que gera em seus fãs, também precisa de um elenco de credibilidade. O resultado é um embate entre personagens imperfeitos, expostos a julgamentos.

Sem grandes efeitos que hipnotizam o espectador, "Elize: sombras de uma mulher" demonstra maturidade ao compreender que revisitar um caso real vai muito além de reconstruir seus momentos mais chocantes. O grande trunfo está na simplicidade e nos espaços entre os acontecimentos, sem jamais justificar o ato, mas, sim, refletir sobre os limites aos quais alguém pode chegar.

 

ELIZE: SOMBRAS DE UMA MULHER | DIR.: FELIPE VELLAS | BRASIL | 2026

NOTA: 7,0

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Flávio Melo
Sobre o blog/coluna
Flávio Melo Jornalista - MTB 87099/SP

Formado pela Cásper Líbero, é crítico especializado em TV, cinema, streaming e música, além de cronista, criador de conteúdo, podcaster e pesquisador de teledramaturgia.
É um dos idealizadores, apresentadores e roteirista do "Pod tudo e + um pouco!", canal de entrevistas no YouTube com mais de 90 mil inscritos.

Sua coluna no Instagram (@colunaflaviomelo), dedicada à análise de produções audiovisuais, reúne mais de 80 mil seguidores.
Já participou, como convidado, do "Link podcast" (Record Digital), comentando reality shows, e do extinto "Tarde top" (Rede Brasil).

Atualmente, é colunista e redator do Portal e Canal Felipeh Campos e comentarista de cultura, entretenimento e celebridades nos programas "Papo em dia" (Rede Brasil) e "Altos papos" (Rádio Capital), apresentado por Nani Venâncio.

"Ao longo da minha trajetória como comunicador, realizei mais de 100 entrevistas com personalidades de diferentes áreas."
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