Por que o programa de Eliana na Globo ainda não decolou?

“Em família com Eliana” sofre com a falta de quadros que empolguem o público

03/08/2026 às 20h45 Atualizada em 04/08/2026 às 00h59
Por: Flávio Melo
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Foto: Divulgação/Globo
Foto: Divulgação/Globo

Existe uma sensação difícil de ignorar quando se assiste ao "Em família": parece que ainda falta encontrar a verdadeira Eliana. A apresentadora continua carismática, espontânea e segura diante das câmeras, mas o programa insiste em colocá-la em situações que nem sempre valorizam aquilo que ela faz de melhor.

Desde a estreia, em março, a atração tenta conquistar o público nas tardes de domingo da Globo. Em vários momentos, assume a liderança de audiência, mas também vê o "Domingo legal", especialmente o "Passa ou repassa", encostar e ameaçar essa vantagem. E talvez isso não seja apenas uma disputa por números, mas um reflexo de algo que ainda não se encaixou.

Eliana merece muito mais do que visitar artistas cujas histórias o público já conhece de cor. Merece mais do que uma competição musical que pouco acrescenta ao que a televisão já oferece. Até o recém-chegado "Invertidamente", apesar da boa intenção e do elenco de famosos, parece carecer daquilo que nunca deveria faltar em um programa comandado por ela: emoção. As brincadeiras acontecem, mas dificilmente despertam torcida. Tudo funciona, mas pouco cativa.

O curioso é que a melhor versão da apresentadora nunca precisou de grandes arquiteturas. Ela sempre brilhou quando esteve diante de gente comum, histórias reais e transformações capazes de comover. Formatos como "Beleza renovada", por exemplo, não dependiam de efeitos grandiosos, e sim de algo muito mais raro: conexão. Era ali que Eliana mostrava por que se tornou uma das mulheres mais queridas da televisão.

Os quadros que marcaram sua trajetória no SBT eram tão fortes que sobreviveram à sua saída. Alguns passaram para as mãos de Celso Portiolli e continuam funcionando, prova de que a simplicidade, quando bem executada, atravessa qualquer mudança de emissora.

Quem sabe 2027 seja o ano em que a Globo entenda que a melhor Eliana não precisa ser reinventada, e sim apenas voltar a fazer o que sempre fez: olhar nos olhos de quem está à sua frente e coverter histórias corriqueiras em momentos inesquecíveis. Porque, até aqui, a apresentadora ainda parece buscar a fórmula de um programa que realmente tenha a sua cara.

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Flávio Melo
Sobre o blog/coluna
Flávio Melo Jornalista - MTB 87099/SP

Formado pela Cásper Líbero, é crítico especializado em TV, cinema, streaming e música, além de cronista, criador de conteúdo, podcaster e pesquisador de teledramaturgia.
É um dos idealizadores, apresentadores e roteirista do "Pod tudo e + um pouco!", canal de entrevistas no YouTube com mais de 90 mil inscritos.

Sua coluna no Instagram (@colunaflaviomelo), dedicada à análise de produções audiovisuais, reúne mais de 80 mil seguidores.
Já participou, como convidado, do "Link podcast" (Record Digital), comentando reality shows, e do extinto "Tarde top" (Rede Brasil).

Atualmente, é colunista e redator do Portal e Canal Felipeh Campos e comentarista de cultura, entretenimento e celebridades nos programas "Papo em dia" (Rede Brasil) e "Altos papos" (Rádio Capital), apresentado por Nani Venâncio.

"Ao longo da minha trajetória como comunicador, realizei mais de 100 entrevistas com personalidades de diferentes áreas."
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