Enquanto é investigado no caso Master, patrimônio de Jaques Wagner cresce 630% em oito anos

O parlamentar baiano planeja concorrer novamente a uma cadeira na mesma casa legislativa nas eleições de outubro

04/08/2026 às 12h30
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos Fonte: O Globo
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Reprodução: Carlos Moura/Agência Senado
Reprodução: Carlos Moura/Agência Senado

O montante de bens reportado pelo senador Jaques Wagner (PT-BA) perante a Justiça Eleitoral registrou um salto expressivo de R$ 3,3 milhões, registrados em 2018, para R$ 24 milhões no pleito atual, representando uma expansão da ordem de 630% em um intervalo de oito anos. Essa escalada nos ativos do legislador vem à tona paralelamente aos inquéritos conduzidos pela Polícia Federal no contexto da Operação Compliance Zero, apuração esta que investiga indícios de recebimento de benesses ilícitas por parte de empresários vinculados ao Banco Master. O político repudia as acusações e reitera que demonstrará sua inocência. As informações são do Jornal O Globo.

Os registros entregues ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) apontam uma fortuna de quase R$ 24 milhões, o que representa um acréscimo aproximado de R$ 21 milhões em relação à sua disputa prévia ao Senado. O parlamentar baiano planeja concorrer novamente a uma cadeira na mesma casa legislativa nas eleições de outubro.

Especialistas ressaltam que a variação positiva de bens, isoladamente, não configura infração. Dentre os elementos informados pelo senador constam uma cobertura em Salvador (BA) precificada em cerca de R$ 10 milhões, um lote de terras estimado em R$ 15 milhões, investimentos financeiros, cotas societárias, automóveis e depósitos em contas correntes, totalizando cerca de R$ 24,5 milhões na prestação oficial.

As investigações da Polícia Federal desde o mês de junho derivam de ramificações da Operação Compliance Zero, que investiga um suposto esquema englobando corrupção passiva, lavagem de dinheiro e tráfico de influência associado à instituição financeira e a empresários do setor. De acordo com os órgãos policiais, existem indícios de que o senador teria aceitado diversas vantagens em troca de suporte político voltado aos pleitos do conglomerado investigado.

Entre os benefícios listados pelos agentes públicos estão a compra simulada de um imóvel residencial de alto padrão em Salvador avaliado em aproximadamente R$ 2,45 milhões, o uso de jatos particulares, entradas para um espetáculo musical da artista Taylor Swift e transferências financeiras da ordem de R$ 3,5 milhões destinadas a uma pessoa jurídica pertencente a familiares do político. A corporação policial aponta ainda suspeitas de que Wagner mantinha aplicações em Certificados de Depósito Bancário (CDBs) emitidos pelo Banco Master.

No decorrer da última semana, o ministro André Mendonça, encarregado da relatoria do processo no Supremo Tribunal Federal (STF), derrubou o sigilo de trechos do inquérito. Os papéis disponibilizados publicamente trazem diálogos textuais, planilhas gerenciais, extratos bancários e mensagens de chat empregadas pela PF para fundamentar a tese de que os financistas do banco repassaram vantagens ao parlamentar e a seus círculos próximos.

Em sua defesa, Wagner repudia integralmente as suspeitas levantadas. Logo após ser alvo das diligências policiais em junho, o congressista declarou possuir laços de amizade com o empresário Augusto Ferreira Lima, ex-diretor do banco, embora tenha refutado qualquer tipo de troca de favores institucional. Na ocasião, qualificou a investida policial como uma "espetacularização" e manifestou serenidade quanto ao deslinde do caso.

O escândalo motivou o afastamento do senador da liderança governista no Senado Federal, posição que detinha desde a largada do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na época, o parlamentar justificou o desligamento como uma medida para preservar a gestão federal e assegurar dedicação integral à sua estratégia de defesa.

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