Economista diz que plano de Flávio prevê corte de R$190 bi em gastos

Durante conversa concedida à GloboNews na segunda-feira (3), a especialista sustentou que o passo inicial rumo à estabilização das contas estatais reside na restauração da confiança perante o mercado financeiro

04/08/2026 às 14h11
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos Fonte: GloboNews
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Reprodução: Maira Erlich/Bloomberg
Reprodução: Maira Erlich/Bloomberg

Responsável pela formulação da proposta econômica da pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República, economista, Daniella Marques, revelou que o projeto desenha uma diminuição de despesas estatais na casa de 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB), somada a modificações nas regras fiscais vigentes e ao enxugamento da máquina pública federal.

Durante conversa concedida à GloboNews na segunda-feira (3), a especialista sustentou que o passo inicial rumo à estabilização das contas estatais reside na restauração da confiança perante o mercado financeiro: “O Brasil precisa, antes de qualquer corte, recuperar a credibilidade”, pontuou.

De acordo com a gestora, a estratégia financeira divide-se em quatro pilares fundamentais: a instituição de um Conselho Superior de Governança Fiscal; a reformulação do arcabouço fiscal vigente para conter a escalada da dívida nacional frente ao PIB; um contingenciamento de gastos de 1,5% do PIB, montante estimado em aproximadamente R$ 190 bilhões, tomando como base o desempenho de 2025, e a implementação de um avanço gerencial por meio da diminuição e modernização do organograma administrativo.

Estratégias para conter gastos

Com o intuito de viabilizar o plano de ajuste, a economista apontou instrumentos como a securitização de créditos tributários e não tributários inscritos em dívida ativa, a estruturação de um fundo imobiliário voltado à exploração comercial de patrimônios da União, a antecipação de ganhos com royalties, a reavaliação de estatais mantidas pelo Tesouro e a aceleração de concessões e parcerias público-privadas (PPPs).

Conforme a especialista, o processo de securitização, um mecanismo que possibilita adiantar montantes relativos a créditos devidos ao erário, ostenta potencial para injetar entre R$ 200 bilhões e R$ 400 bilhões.

Marques também defendeu o aproveitamento do vasto repertório de bens imobiliários federais, que supera a marca de 700 mil unidades. “A gente vai fazer um fundo imobiliário para conseguir monetizar parte desses ativos”, declarou. “Por fim, fortalecer a segurança jurídica e encurtar caminhos com um amplo programa de concessões e parcerias público-privadas”.

No contexto da reestruturação das empresas estatais, Daniella citou nominalmente os Correios, cujo balanço financeiro relativo a 2025 indicou um saldo negativo de R$ 8,5 bilhões. Apesar de expor as diretrizes mestras do plano, a economista omitiu o peso percentual específico de cada ação no atingimento da meta de 1,5% do PIB, bem quais rubricas de gastos correntes e permanentes sofrerão retração.

Especulações sobre a vice-presidência

Ex-presidente da Caixa Econômica Federal entre 2022 e 2023 e ex-secretária de Produtividade, Emprego e Competitividade no Ministério da Economia durante a gestão de Jair Bolsonaro (PL), Daniella tem seu nome ventilado para compor a chapa de Flávio Bolsonaro na condição de candidata à vice-presidência.

Questionada a respeito dessa especulação, a economista classificou a lembrança como “uma honra”, embora ressalve que a palavra final sobre a composição pertencerá exclusivamente ao parlamentar.

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