
O encerramento do mecanismo de reeleição converteu-se na principal cartada de Flávio Bolsonaro na tentativa de pactuar alianças ao centro e à direita rumo ao Planalto. Ao assegurar um mandato único, o postulante visa diminuir resistências ao seu nome no pleito corrente e garantir a fila de sucessão aberta para 2030. As informações são da Gazeta do Povo.
O compromisso formalizou-se mediante a PEC 4/2026, protocolada pelo senador no início do ano. A medida veda a recondução sucessiva do chefe do Executivo com efeito imediato: "Ao eliminar a possibilidade de reeleição consecutiva para o Presidente da República, pretende-se fortalecer a independência decisória do governante, reduzir incentivos ao uso estratégico da máquina pública, reafirmar o compromisso republicano com a limitação temporal do poder político e um movimento de volta à normalidade democrática", justificou o parlamentar.
A articulação projeta que o texto seja apreciado no Congresso em 2027 caso Flávio saia vitorioso nas urnas, o que exigirá aprovação por três quintos nas duas Casas. Embora visasse atrair siglas como PP, União Brasil, Republicanos e PSD para o primeiro turno, a adesão institucional não ocorreu. O PSD lançou Ronaldo Caiado, enquanto o Republicanos e a Federação União Progressista optaram pela neutralidade nacional, embora quadros dessas legendas apoiem o representante do PL.
A entrada do senador alterou o arranjo anterior, quando agentes do mercado e líderes partidários defendiam a candidatura do governador paulista, Tarcísio de Freitas, acenando com Michelle Bolsonaro na vice. Tarcísio, contudo, preferiu disputar a recondução ao governo de São Paulo e guardar a ambição presidencial para 2030. Essa projeção preserva-se na estratégia do candidato do PL, que sinaliza um governo de transição voltado a reformas fiscais e impopulares, paralelamente às metas de anistiar o pai e promover o indulto aos envolvidos no 8 de janeiro.
Adicionalmente, a fixação de um mandato de quatro anos pacificou a convivência política interna entre Flávio e Michelle. Caso a emenda avance no próximo mandato, a ex-primeira-dama e Tarcísio estarão aptos ao pleito de 2030 sem enfrentar o atual postulante. Por sua vez, Nikolas Ferreira permanece fora desse horizonte temporal imediato, já que só atingirá a idade mínima para o cargo em 2034.
No plano regional, São Paulo desponta como vetor prioritário. Flávio prestigiou a convenção do Republicanos no estado, enquanto Tarcísio ratificou aliança com o PL, desenhando-se o cenário de que uma liquidação do pleito paulista em primeiro turno canalizaria o empenho do governador na atração do eleitorado moderado para o projeto nacional.
Consultores políticos apontam que a proposta carrega forte peso pragmático. Conforme avalia Leandro Gabiati, da Dominium, o objetivo central reside em contornar a rejeição eleitoral mediante um gesto institucional de alternância de poder. Marcus Deois, da Ética, acrescenta que o compromisso favorece as tratativas ao assegurar a postulação de novos nomes na eleição subsequente, frisando que, definida a vaga de vice com o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), a próxima fase da campanha envolverá a antecipação de nomes para o ministério.