
Um advogado, apontado como suspeito de manter vínculos com o Primeiro Comando da Capital (PCC), é acusado de proferir uma suposta ameaça de morte direcionada a um magistrado durante uma sessão voltada aos réus pertencentes à organização criminosa. O magistrado visado é Deyvison Heberth dos Reis, responsável por determinar a conversão da custódia da criadora de conteúdo digital Deolane Bezerra há 90 dias. As informações são do SBT News.
A gravação do ato processual registrou a atuação do jurista Marcos Roberto Cebola e Silva na tentativa de assegurar a soltura de seus representados. No decorrer da arguição, o advogado sustentou que o andamento da ação penal seria facilitado caso as ordens de prisão fossem rescindidas, obtendo como resposta que a deliberação precisava ater-se estritamente à legislação vigente. Logo após o diálogo, Marcos Roberto Cebola e Silva pronunciou o seguinte:
“Diante do que se apurou hoje, com a devida vênia, pela graça de Deus, sob a proteção de Deus, se o senhor não revogar essas prisões, eu temo o senhor não adentrar ao ‘elísio’.”
Diante da manifestação, o julgador questionou se a advertência configurava intimidação pessoal. O jurista rejeitou a acusação, argumentando que o termo “elísio” remetia ao paraíso e que, sendo a mortalidade um destino universal, caberia a dualidade entre ascender aos céus ou ser relegado ao inferno. A justificativa foi rejeitada pelo magistrado, com Deyvison Heberth dos Reis destacando que, em duas décadas de magistratura e na condução de diversos julgamentos envolvendo a referida facção, jamais se deparara com manifestação semelhante, interpretando a retórica como uma ameaça explícita à sua integridade física caso mantidas as prisões cautelares.
O episódio motivou a instauração de um procedimento investigativo criminal contra o advogado, o qual corre acobertado por sigilo processual. Tanto os órgãos ministeriais quanto o corpo judiciário manifestaram apreensão em virtude das suspeitas que relacionam o defensor à facção criminosa. O investigado esteve envolvido na fundação da entidade civil Pacto Social e Carcerário, estrutura esta apontada por autoridades policiais e ministeriais como uma fachada financiada por recursos ilícitos para salvaguardar os interesses do grupo delituoso.
Cumpre ressaltar que o jurista também atua na defesa da inocência de Deolane Bezerra, detida sob a acusação de praticar lavagem de capitais para o grupo marginal. Ademais, o profissional emprega suas plataformas digitais para tecer críticas direcionadas ao promotor de justiça Lincoln Gakiya, integrante do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) no estado de São Paulo, chegando a catalogá-lo publicamente como “super-herói de Presidente Venceslau”.