
A representação jurídica do garoto de 5 anos citado no inquérito envolvendo o artista Marco Furlan pronunciou-se nesta terça-feira (11) para detalhar as conclusões da perícia efetuada pelo Instituto Médico-Legal (IML). Em comunicado remetido ao Metrópoles, a advogada Maria Fernanda Mituo ressaltou que a inexistência de vestígios corporais apurada no laudo não anula, por si só, a hipótese do crime sob apuração.
Os resultados periciais vieram a público na última segunda-feira (10). O documento assinado pelo legista atesta que “não há, no presente exame, evidências de lesões corporais”. A verificação médica concentrou-se em buscar possíveis “lesões de interesse médico legal” na área anal da vítima. O perito Rodrigo Carvalho de Almeida anotou adicionalmente que “não há elementos” que comprovem atos libidinosos na avaliação conduzida. A inspeção ocorreu em 4 de agosto, 48 horas após a ocorrência que motivou a abertura do processo investigativo, em 2 de agosto.
Contudo, os advogados do menor ponderam que o próprio laudo faz a ressalva de que a falta de marcas visíveis não descarta o crime em apuração. “Embora o exame físico realizado até o momento não tenha identificado lesões macroscópicas, o próprio laudo pericial esclarece que a ausência de lesões físicas não é suficiente, por si só, para afastar a ocorrência do delito investigado, especialmente diante da natureza dos fatos e das particularidades do exame realizado posteriormente ao evento”, argumentou a defesa.
O parecer pericial indicou também que exames laboratoriais adicionais seguem em processamento, incluindo a “pesquisa de espermatozoides”. Conforme os defensores da vítima, os relatórios complementares devem ser finalizados no prazo de 30 dias e posteriormente anexados ao acervo probatório. A equipe jurídica enfatizou ainda que o andamento do processo criminal não está condicionado unicamente a marcas físicas ou a uma perícia isolada, lembrando que a conclusão do inquérito policial identificou indícios robustos de autoria e materialidade com base em depoimentos e outras evidências colhidas.
O ator Marco Furlan é investigado por suposta prática de abuso sexual contra vulnerável. A situação transcorreu nas primeiras horas de 2 de agosto, em uma chácara situada na cidade de Pindamonhangaba, interior paulista. Conforme a narrativa da defesa, a mãe da criança ouviu gritos vindo do cômodo do filho. Ao verificar, teria surpreendido o suspeito sem roupas no mesmo local em que o menino estava desprovido de vestimentas, em meio a choros e queixas de dores.
O fato mobilizou as forças policiais e culminou na prisão em flagrante do investigado. Segundo os advogados da família, os depoimentos da mãe, de testemunhas e dos agentes de segurança foram reforçadas por novos depoimentos durante a fase instrutória. A banca reiterou que aguarda os laudos de laboratório remanescentes e prosseguirá tomando as providências judiciais para assegurar a proteção integral do menor e o andamento da ação legal.