
O instrutor de dança, Carlinhos Salgueiro, comentou abertamente a decisão tomada por Virginia Fonseca de renunciar à liderança dos ritmistas da Grande Rio. Em depoimento concedido ao portal LeoDias na quinta-feira (13), o profissional que orientou a empresária no samba admitiu que já previa essa atitude e analisou o cenário, apontando os fatores que, a seu ver, culminaram no desligamento da famosa.
Sem rodeios, o carnavalesco expressou que o anúncio não o pegou desprevinido: “Não é uma surpresa, não”, começou. “Eu já meio que desconfiava”, pontuou o mestre, que conservou diálogo com a assessoria da beldade após tutorá-la em quase todo o treinamento para o espetáculo.
Ao investigar os motivos por trás da decisão, Salgueiro reprovou abertamente o nível de exigência imposto sobre a influenciadora: “Eu vou ser muito sincero, gente, ela não precisa disso, não. Era muita humilhação, sabe? Era muita pressão”, desabafou.
Ele manifestou apoio ao afastamento, sobretudo ao constatar que o encanto com a festa havia se perdido. Para embasá-lo, usou sua paixão pessoal pela folia como paralelo: “Eu sempre falo para todo mundo que eu faço o que eu amo, porque o dia que eu não amar mais, acabou. O dia que eu não tiver mais, não sentir esse amor, eu acho que é a hora de parar”, frisou.
Ainda que desejasse ver Virgínia por mais tempo na agremiação, o professor ponderou a respeito do esgotamento emocional: “Eu queria muito continuar, queria muito que ela continuasse, mas foi muito difícil, sabe?”, analisou. “Muita, muita cobrança. Por mais que eu tenha cobrança no Salgueiro e coisas que eu tenho que fazer, eu tenho meu momento prazer. E eram poucos, assim”, recordou. “Eu acho que ela saiu porque era muito mais estresse que momento prazer”, lamentou.
Carlinhos também destacou a falta de paciência do público com o processo de aprendizado da influenciadora: “Se ela fosse para se divertir, ela era comparada com alguém. Ela tava muito nova porque ela não conhecia nada, ela tava aprendendo. E as pessoas só cobravam, não deram o direito dela aprender. Era um ano, ela nunca tinha vivenciado nada, gente”, protestou.
A despeito da enxurrada de comentários maldosos, ele elogiou a postura blindada da ex-rainha: “Ela sempre deixava claro que ela não liga. Isso eu aprendi com ela. Ela, cara, ela era incrível. Ela não se afetava com as críticas, e eram muitas. E eu falava: ‘Virgínia, você viu lá’. ‘Eu não vi nada. Vamos embora, vamos embora, vamos embora treinar, vamos fazer’”, rememorou.
Na visão de Carlinhos, embora Virginia estivesse evoluindo na dança, o costeiro da fantasia foi um obstáculo marcante. O peso do adereço nas costas da musa, por exemplo, impressionou o treinador de forma negativa: “Eu vesti a fantasia. Cara, eu, olha que eu sou um cara forte, e não aguentei ficar dois minutos com aquele costeiro. Falei: ‘Gente, não vai dar certo’”, compartilhou.
O passista relembrou ainda, em tom descontraído, que questionou os idealizadores sobre a modelagem da peça: “Eu falava assim: ‘Gente, mas por que que vocês não esconderam essa bunda dela?’. Aí eu ficava tentando. Eu falava assim para ele: ‘Amigo, tira essas pernas aqui pelo menos da bunda’. Ele: ‘Não, é o conceito’”, detalhou, lamentando como certas propostas visuais se sobrepuseram à performance da apresentadora na Sapucaí.
Ao encerrar, Salgueiro garantiu estar com a consciência tranquila quanto ao empenho dedicado e manteve a receptividade para futuros encontros na avenida: “Eu saio com a minha cabeça erguida de um trabalho feito, e isso ninguém vai poder negar. E eu só tenho gratidão a ela e desejo a ela tudo de bom, que ela seja feliz em tudo que ela resolver fazer. É, se no futuro ela voltar, estarei aqui com meus braços abertos”, concluiu.