
A defesa de Karina Ferreira da Gama, proprietária da Go Up Entertainment, produtora do longa "Dark Horse", a biografia sobre Jair Bolsonaro, acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) para paralisar ou avocar a Operação Wi-Fi, conduzida pela Polícia Civil paulista. O inquérito apura supostas fraudes em uma licitação de R$ 108 milhões vencida pelo Instituto Conhecer Brasil, ONG da empresária. As informações são do Estadão.
Os advogados sustentam que o foco real da apuração estadual é devassar o financiamento privado do filme, bancado em mais de 90% pelo banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo a defesa, a matéria já tramita no Inquérito nº 5.070/DF e conecta-se ao Inquérito nº 5.026/DF, ambos sob a relatoria do ministro André Mendonça. O roteiro do filme é assinado pelo deputado federal Mário Frias (PL-SP), que destinou R$ 2 milhões em emendas parlamentares à iniciativa em 2024. Todos negam irregularidades.
Para os advogados, ocorre um indevido desmembramento processual voltado a investigados sem prerrogativa de foro. Os argumentos apontam que "a investigação de primeiro grau tem como verdadeiro objeto: a aplicação de recursos financeiros por parte do banqueiro Daniel Vorcaro no financiamento do filme Dark Horse" e que "tal objeto atrai a competência absoluta desse Supremo Tribunal Federal. E isso pois, em verdade, tais fatos já estão sendo apurados no âmbito dos presentes autos (Inquérito nº 5.070/DF), sendo, ainda, fatos conexos com as investigações realizadas no Inquérito nº 5.026/DF, ambos de relatoria do Exmo. Min. André Mendonça". Recentemente, o ministro Flávio Dino autorizou o compartilhamento das provas com a Polícia Federal, enquanto a perícia nos telefones apreendidos prossegue.