
Flávio Bolsonaro (PL) voltou a pedir a investigação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Supremo Tribunal Federal (STF) após a divulgação de novas informações sobre um suposto presente de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Nesta sexta-feira (23), segundo o Metrópoles, o senador apresentou uma petição complementar ao ministro André Mendonça, relator do caso, citando mensagens que indicariam a compra de uma garrafa de uísque avaliada em aproximadamente R$ 500 mil para o presidente.
A nova manifestação tem como base uma reportagem publicada pela revista Veja na quinta-feira (22), que revelou detalhes de conversas encontradas pela Polícia Federal no celular de Vorcaro. Nos diálogos, datados de outubro de 2024, o ex-banqueiro pede a um funcionário que procure uma garrafa do raro Macallan 1945 e explica a finalidade da aquisição: “Preciso dar pro Lula”. O funcionário informou que a bebida custaria mais de 80 mil euros, valor equivalente a cerca de R$ 500 mil na época, e Vorcaro autorizou a compra.
Outro trecho das mensagens, de janeiro de 2025, também foi citado na discussão. Na ocasião, Walfrido Warde, então advogado de Vorcaro, relatou ao cliente que havia encontrado Lula e que o presidente teria agradecido novamente pelo uísque. A conversa foi apresentada como um dos elementos que levaram a campanha de Flávio a insistir na apuração do episódio.
O pedido original de abertura de investigação havia sido apresentado pelo senador em setembro, após a divulgação de mensagens nas quais Warde relatava conversas com o presidente. A petição protocolada nesta sexta-feira acrescenta a informação sobre o valor da garrafa e pede que o caso seja encaminhado à Procuradoria-Geral da República (PGR) para análise das suspeitas de corrupção passiva e advocacia administrativa. As acusações são objeto do pedido de investigação, não uma conclusão de que os crimes tenham ocorrido.
O Palácio do Planalto, por meio da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, nega que Lula tenha recebido presentes de Vorcaro. Em manifestação anterior, a Secom afirmou que o presidente se encontrou com o banqueiro apenas uma vez, em 4 de dezembro de 2024, em reunião no Planalto intermediada pelo ex-ministro Guido Mantega. Segundo o governo, Lula orientou que eventuais denúncias contra o Banco Master fossem analisadas tecnicamente pelo Banco Central e não teve outros contatos com o ex-banqueiro.
O episódio intensifica a disputa política entre Lula e Flávio Bolsonaro a dois dias do segundo turno, marcado para domingo (25). Enquanto a campanha do senador cobra esclarecimentos e investigação, o governo nega o recebimento do presente. Caberá às autoridades competentes avaliar os documentos, esclarecer se a garrafa foi efetivamente entregue e verificar se existem elementos que justifiquem a abertura ou ampliação de uma investigação.