“Round 6”: precisava de três temporadas, gente?

De volta à Netflix, a bem-sucedida série sul-coreana não acaba bem

10/07/2025 às 21h01 Atualizada em 10/07/2025 às 21h35
Por: Flávio Melo
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Foto: Divulgação / Netflix
Foto: Divulgação / Netflix

A terceira temporada de “Round 6” estreou na Netflix como quem chega atrasado a uma festa que já acabou. E, o que deveria marcar um retorno triunfal, acabou confirmando os sinais que já vinham aparecendo desde a segunda temporada: a série sul-coreana, que conquistou o mundo em seu lançamento, não tinha mais o que oferecer.

O protagonista Gi-hun, vivido por Jung-jae Lee, praticamente desaparece em cena. Sua presença é tão tímida, que levanta dúvidas sobre uma possível desistência do próprio ator. Enquanto isso, outros jogadores — inclusive aqueles que conquistaram o público anteriormente — são eliminados conforme o roteiro exige, em sua necessidade de conduzir tudo a um único vencedor.

No meio do caminho, a narrativa se perde em um caldeirão de gêneros que mistura drama e comédia, como se um alívio cômico pudesse amenizar a violência gratuita. O que se vê, é uma tentativa de forçar uma “trajetória do herói”, sem conseguir manter coesão ou impacto.

As provas, que antes impressionavam pela engenhosidade, tornaram-se longas, previsíveis e cansativas. As mortes, que já carregaram algum significado, serviram mais como um espetáculo vazio. E, para completar, o retorno dos VIPs — caricatos observadores que apostam nos competidores como se estivessem em um cassino futurista — entrega diálogos sofríveis que destoam de qualquer proposta eloquente. Um roteirista iniciante provavelmente entregaria resultados mais eficientes.

Mas nada é tão surreal quanto a presença de Cate Blanchett nos episódios finais. Com ar misterioso, a atriz surge como a promessa de uma possível versão norte-americana da trama. Afinal, com tantos sucessos sul-coreanos recentes no Emmy e no Oscar, seria estranho se Hollywood ficasse de fora.

No fim das contas, a terceira temporada de "Round 6" lembra um jogador eliminado logo no início, mas que retorna por meio de uma repescagem duvidosa. E o prêmio, dessa vez, foi a paciência do público.

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Flávio Melo
Sobre o blog/coluna
Flávio Melo Jornalista - MTB 87099/SP

Formado pela Cásper Líbero, é crítico especializado em TV, cinema, streaming e música, além de cronista, criador de conteúdo, podcaster e pesquisador de teledramaturgia.
É um dos idealizadores, apresentadores e roteirista do "Pod tudo e + um pouco!", canal de entrevistas no YouTube com mais de 90 mil inscritos.

Sua coluna no Instagram (@colunaflaviomelo), dedicada à análise de produções audiovisuais, reúne mais de 80 mil seguidores.
Já participou, como convidado, do "Link podcast" (Record Digital), comentando reality shows, e do extinto "Tarde top" (Rede Brasil).

Atualmente, é colunista e redator do Portal e Canal Felipeh Campos e comentarista de cultura, entretenimento e celebridades nos programas "Papo em dia" (Rede Brasil) e "Altos papos" (Rádio Capital), apresentado por Nani Venâncio.

"Ao longo da minha trajetória como comunicador, realizei mais de 100 entrevistas com personalidades de diferentes áreas."
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