“Ainda estou aqui”: mais importante do que ter um Oscar, é ter o público

Antes de estrear no Brasil, novo filme de Walter Salles foi ovacionado em grandes festivais internacionais

11/11/2024 às 10h00 Atualizada em 11/11/2024 às 15h44
Por: Flávio Melo
Compartilhe:
Imagem: Aline Onawale
Imagem: Aline Onawale

Um dos primeiros atos dos roteiristas Murilo Hauser e Heitor Lorega na nova direção de Walter Salles (o mesmo de “Central do Brasil”) é, além de apresentar o clã dos Paivas, fazer com que o público conviva e se apaixone por Rubens, Eunice e seus cinco filhos, incluindo Marcelo Rubens, autor do livro que deu origem a este filme.

“Ainda estou aqui” acaba de chegar aos cinemas brasileiros depois de conquistar plateias em grandes festivais, como o de Veneza (Itália), onde ganhou o prêmio de melhor roteiro.

O longa retrata os horrores da ditatura nos anos 1970, o desaparecimento de Rubens Paiva e a luta frenética de Eunice por respostas e justiça.

Com mais de duas horas de duração, a obra gera interesse pela protagonista vivida por Fernanda Torres, que, não à toa, é tida pela crítica especializada como uma das melhores atrizes do ano, a ponto de repetir o feito de sua mãe, Fernanda Montenegro, e ser indica ao Oscar 2025. No entanto, algumas cenas podem ser vistas como supérfluas pelo teor de semelhança entre elas.

Ainda sobre o elenco, Selton Mello atesta que o tempo o deixa cada vez melhor. Como prova, a ausência do ator na trama, após ser capturado, faz com que o filme perca um pouco de sua força. Todavia, Valentina Herszage, Humberto Carrão, Dan Stulbach e Antonio Saboia – como Marcelo Rubens Paiva na fase adulta –, mesmo em participações menores, oferecem excelentes interpretações.

No mais, o longa foi escolhido para representar o Brasil na disputa por uma vaga em “Melhor filme internacional” na próxima cerimônia da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, ausente desde 1999 nesta categoria.

“Ainda estou aqui” merece ser lido, visto e aplaudido, pois revisita as dores de um Brasil que não pode ser esquecido.

 

Instagram: @colunaflaviomelo

X: @col_flaviomelo

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
Flávio Melo
Sobre o blog/coluna
Flávio Melo Jornalista - MTB 87099/SP

Formado pela Cásper Líbero, é crítico especializado em TV, cinema, streaming e música, além de cronista, criador de conteúdo, podcaster e pesquisador de teledramaturgia.
É um dos idealizadores, apresentadores e roteirista do "Pod tudo e + um pouco!", canal de entrevistas no YouTube com mais de 90 mil inscritos.

Sua coluna no Instagram (@colunaflaviomelo), dedicada à análise de produções audiovisuais, reúne mais de 80 mil seguidores.
Já participou, como convidado, do "Link podcast" (Record Digital), comentando reality shows, e do extinto "Tarde top" (Rede Brasil).

Atualmente, é colunista e redator do Portal e Canal Felipeh Campos e comentarista de cultura, entretenimento e celebridades nos programas "Papo em dia" (Rede Brasil) e "Altos papos" (Rádio Capital), apresentado por Nani Venâncio.

"Ao longo da minha trajetória como comunicador, realizei mais de 100 entrevistas com personalidades de diferentes áreas."
Ver notícias