
O governo brasileiro utilizou a Força Aérea Brasileira (FAB) em uma operação com custo total de R$ 345.013,56 para trazer ao país a ex-primeira-dama do Peru, Nadine Heredia, que foi condenada por lavagem de dinheiro em um escândalo envolvendo a construtora Novonor (antiga Odebrecht) e o governo da Venezuela.
O gasto, considerado um desperdício de dinheiro público pelo deputado Marcel Van Hattem (Novo-RS), gerou forte controvérsia devido ao uso de recursos federais para um caso de asilo.
A informação sobre o custo da operação foi obtida através de um requerimento de informações formulado por Van Hattem e atendido pela FAB. O voo especial, realizado em abril deste ano, buscou Heredia, esposa do ex-presidente peruano Ollanta Humala, após o Brasil conceder-lhe asilo diplomático. A resposta da FAB especificou a origem da despesa, que totalizou R$ 345.013,56. O deputado Marcel Van Hattem criticou duramente a decisão, sugerindo que a ordem partiu da Presidência da República.
"Gastaram R$ 345 mil do dinheiro do povo para usar um FAB como Uber para buscar uma corrupta condenada no Peru e a ordem partiu diretamente do presidente Lula”, declarou Van Hattem.
Após ser trazida com recursos federais, Nadine Heredia pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF), no começo do mês, a suspensão de qualquer pedido de extradição contra ela. Na época da viagem, o uso do voo da FAB por Heredia foi defendido por seu advogado, Marco Aurélio de Carvalho, sob a justificativa de que a decisão cumpria um tratado internacional assinado pelo Brasil com o Peru em 1954. No entanto, a concessão de asilo a uma pessoa condenada por crimes de corrupção, somada ao uso de aeronave oficial com alto custo para o contribuinte, intensificou o debate sobre a ética e a prioridade no uso da máquina pública.