“Uma batalha após a outra” quer batalhar pelo Oscar

Novo filme de Paul Thomas Anderson denuncia as mazelas do século 21

12/12/2025 às 17h11
Por: Flávio Melo
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Foto: Divulgação/Warner Bros. Pictures
Foto: Divulgação/Warner Bros. Pictures

Paul Thomas Anderson sempre foi um diretor que cutuca o público. Mas em “Uma batalha após a outra”, ele faz algo diferente: mergulha de cabeça no presente, nas urgências e no mundo acelerado em que cada dia parece uma pequena guerra. É seu filme mais nervoso, mais elétrico e, ao mesmo tempo, mais divertido em muitos anos.

Logo na primeira cena, com uma líder revolucionária atravessando um campo de imigrantes, já fica claro: estamos vendo um PTA com uma pressa nova, quase impaciente, como se ele estivesse respondendo ao caos dos tempos modernos com a mesma energia inquieta que sentimos diariamente.

Apesar de ser inspirado em “Vineland”, de Thomas Pynchon, o longa não se prende ao livro. O diretor usa as ideias como combustível para retratar as batalhas do século 21: extermínio de imigrantes, supremacia branca, violência policial, política tóxica, ocupações arbitrárias e outras fraturas sociais. Mas não se trata de um discurso panfletário. É cinema puro, cheio de atmosfera, risco e humor nascido do absurdo.

Perfidia, vivida com intensidade por Teyana Taylor, é o tipo de heroína que PTA adora: fascinante, perigosa e cheia de convicção. Ela é movida tanto por ideologias quanto pelo prazer de estar sempre no limite. Seu relacionamento explosivo com Pat/Bob, o personagem mais engraçado, vulnerável e deliciosamente desastrado que Leonardo DiCaprio interpretou em muito tempo, forma o coração instável do filme.

DiCaprio, em seu modo ‘pateta genial’, parece se divertir com o papel. Aqui, ele não é galã nem mocinho: é um cara detonadamente humano, chapado, perdido e tentando, de alguma forma, proteger a filha. Aliás, há uma virada emocionante quando ele se vê obrigado a sair de sua morosa aposentadoria para salvá-la do implacável Coronel Lockjaw, vivido com fúria por Sean Penn, contando com a ajuda do pragmático Sensei, em mais uma atuação potente de Benicio Del Toro. E por falar em filha, ela é Willa (Chase Infiniti), uma adolescente que carrega nos olhos uma maturidade forjada pela sobrevivência.

O filme parece três ao mesmo tempo: um faroeste moderno, uma comédia sombria e um thriller de alta tensão. E, incrivelmente, tudo se encaixa. PTA equilibra desordem e clareza como poucos. Há explosões, perseguições e até uma referência direta a Tom Cruise. Tudo sem perder o foco no que realmente importa: perdurar em um mundo que não para de ruir.

No fim das contas, “Uma batalha após a outra” é sobre ciclos. Sobre como o futuro depende de quem vem depois. Fala do sentimento de viver à beira do abismo, da frustração, da raiva, mas também da esperança teimosa que insiste em surgir quando vemos alguém lutar por aquilo que ama.

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Flávio Melo
Sobre o blog/coluna
Flávio Melo Jornalista - MTB 87099/SP

Formado pela Cásper Líbero, é crítico especializado em TV, cinema, streaming e música, além de cronista, criador de conteúdo, podcaster e pesquisador de teledramaturgia.
É um dos idealizadores, apresentadores e roteirista do "Pod tudo e + um pouco!", canal de entrevistas no YouTube com mais de 90 mil inscritos.

Sua coluna no Instagram (@colunaflaviomelo), dedicada à análise de produções audiovisuais, reúne mais de 80 mil seguidores.
Já participou, como convidado, do "Link podcast" (Record Digital), comentando reality shows, e do extinto "Tarde top" (Rede Brasil).

Atualmente, é colunista e redator do Portal e Canal Felipeh Campos e comentarista de cultura, entretenimento e celebridades nos programas "Papo em dia" (Rede Brasil) e "Altos papos" (Rádio Capital), apresentado por Nani Venâncio.

"Ao longo da minha trajetória como comunicador, realizei mais de 100 entrevistas com personalidades de diferentes áreas."
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