Deolane já disse que preferia “os grandes” ao defender clientes do PCC; entenda

Deolane Bezerra justificou, no passado, sua atuação na defesa de membros da referida facção ao declarar que os “clientes grandes pagam bem”

22/05/2026 às 10h34
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
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Reprodução: Redes Sociais
Reprodução: Redes Sociais

Detida em Barueri em meio a uma ação policial de combate à lavagem de dinheiro, a criadora de conteúdo Deolane Bezerra justificou, no passado, sua atuação na defesa de membros da referida facção ao declarar que os “clientes grandes pagam bem”. O depoimento, concedido originalmente em uma entrevista no ano de 2022, ganhou nova força nas redes na quinta-feira (21) em decorrência de seu recente encarceramento na Grande São Paulo.

Durante o bate-papo com o portal Uol, a famosa ponderou seu papel institucional:

“Advogo para pessoas e não para uma facção. Um advogado criminalista em São Paulo não tem como afirmar que nunca advogou para um membro do PCC, a não ser que você advogue para clientes baixos. Eu prefiro os grandes, que me pagam bem. Não tem como ser hipócrita. É proibido advogar para uma facção, porque assim você tem conhecimento dos crimes cometidos. Eu advogo para pessoas que supostamente pertencem a uma organização“.

Contudo, documentos recentes da Polícia Civil contradizem essa versão e enquadram a advogada como componente efetiva do grupo criminoso, além de considerá-la um elo crucial nas transações ilícitas operadas por meio de uma firma de transportes fictícia. A investida policial mirou não apenas Deolane, mas mirou igualmente Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, expoente máximo da organização, bem como seu círculo familiar.

Entenda a conexão entre a influenciadora e a facção

O Ministério Público e as forças policiais paulistas desencadearam a Operação Vérnix para desmantelar essa engrenagem financeira do crime organizado. Os rumos dessa apuração ganharam corpo com base em fragmentos de bilhetes interceptados no sistema prisional. De acordo com informações obtidas pelo Metrópoles, os textos manuscritos foram interceptados na tubulação de esgoto de um dos cubículos da Penitenciária II Maurício Henrique Guimarães Pereira, situada em Presidente Venceslau.

A localização desses papéis ocorreu em 2019, quando internos tentaram sumir com as evidências jogando-as no vaso sanitário ao perceberem a entrada dos agentes para uma revista. A leitura das mensagens trouxe à tona o funcionamento interno da quadrilha, a comercialização de entorpecentes no ambiente carcerário, a influência dos chefes do bando e estratégias para cometer atentados contra servidores estatais, tendo como um dos alvos principais um antigo comandante daquela prisão.

Nas anotações, constava uma cobrança direta atribuída a Marcola cobrando celeridade na execução do atentado. O texto detalhava que “aquela mulher da transportadora” tinha conseguido levantar a localização recente de uma das vítimas planejadas.

No esforço para rastrear a identidade dessa personagem misteriosa, a inteligência policial localizou um estabelecimento de fretes vizinho à própria penitenciária, o que culminou na Operação Lado a Lado no ano de 2021. Naquela ocasião, a apreensão de um telefone permitiu monitorar diálogos de indivíduos conectados ao bando. A varredura desses dados expôs indícios substanciais de transferências de dinheiro para Deolane Bezerra, evidenciando uma forte proximidade íntima e transações financeiras dela com um dos administradores ocultos daquela empresa de logística.

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