
Seguindo a tradição mantida desde 1989, a Band TV dará o pontapé inicial na sequência de embates televisivos entre os concorrentes à Presidência da República nesta temporada. O evento inaugural foi agendado para 23 de agosto, porém a ida dos dois líderes das pesquisas segue indefinida. Tanto Flávio Bolsonaro (PL) quanto Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantêm o mistério sobre o comparecimento. As informações são da Gazeta do Povo.
A avaliação nos bastidores de ambos os comitês é de que a exposição na rodada inicial carrega riscos desproporcionais aos eventuais ganhos. No campo progressista, teme-se que o atual chefe do Executivo se torne o foco central dos ataques da bancada, dado que grande parte dos postulantes pertence ao espectro conservador, como Renan Santos (Missão), Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD), além do próprio Flávio.
Do outro lado, a ala alinhada ao senador Flávio Bolsonaro receia que ele venha a ceder holofotes para os demais rivais do mesmo campo ideológico. Pesa ainda a preocupação com o desgaste de temas sensíveis, a exemplo de seu vínculo com o empresário do setor bancário Daniel Vorcaro, um episódio no qual o congressista solicitou apoio financeiro para a execução do longa-metragem “Dark Horse”, obra focada na trajetória de Jair Bolsonaro.
O plano tático da chapa do liberal funciona sob a lógica da reciprocidade: ele só participará caso o oponente de esquerda compareça. O dirigente máximo da sigla (PL), Valdemar Costa Neto, colocou a presença do filho do ex-presidente como dependente da ida do petista. “Por que que você vai debater, sem querer tirar o valor do Caiado e do Zema, mas por que que você vai debater com candidatos que têm 4%, 5%? Isso não faz sentido. O debate dele tem que ser com Lula e acabou”, declarou a liderança do partido.
Pelo tom do presidente da República, a chance de ver a dupla reunida no estúdio da Band, ou nos confrontos das demais redes, é remota. “Eu, enquanto presidente, não vou para debate para ouvir bobagem. Quero saber qual o nível do debate, porque, caso esse debate não sirva para sociedade, para politizá-la, por que eu vou fazer um debate com um cara que não tem compromisso com ninguém?”, indagou Lula em entrevista concedida ao podcast Inteligência Ltda.
Além do encontro na Band, outras duas entrevistas coletivas estão previstas antes da primeira votação. No dia 14 de setembro, o SBT realiza seu programa em parceria com um pool de veículos de comunicação. Encerrando o ciclo, em 1º de outubro, a três dias da ida às urnas, a TV Globo transmitirá o último painel entre os postulantes.
Inicialmente, a Band havia fixado o confronto para 17 de agosto. A data, contudo, trombava com o evento que marca o início oficial da caminhada eleitoral do PT em São Bernardo do Campo (SP). Buscando viabilizar a ida do presidente, a direção do canal optou por adiar a transmissão para o dia 23.
A mudança de dia, contudo, não garante o comparecimento do petista. Caso confirme a ausência, Lula repetirá o modelo adotado na corrida de 2006, oportunidade em que se recusou a ir aos estúdios na fase inicial do pleito, um evento que contou com a presença de seu atual vice, Geraldo Alckmin (PSB), seu opositor direto à época.
Faltas de figuras de destaque no estúdio do canal ocorrem desde a democratização. Na edição inaugural, em 1989, Fernando Collor de Mello não compareceu e saiu vitorioso do pleito. Já em 1998, a recusa de Fernando Henrique Cardoso em disputar os painéis resultou no cancelamento de todas as transmissões agendadas. Em 2018, impedido pela Justiça Eleitoral por estar detido em Curitiba, Lula não pôde ir nem ser representado pelo então vice da chapa, Fernando Haddad (PT).