Por coação no processo, Moraes vota para que Eduardo Bolsonaro responda como réu

Relator afirma que há indícios de coação no curso do processo durante articulações do deputado nos EUA para beneficiar Jair Bolsonaro

14/11/2025 às 13h08
Por: Natália Raquel
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Moraes e Eduardo Bolsonaro. Foto: Divulgação
Moraes e Eduardo Bolsonaro. Foto: Divulgação

O ministro Alexandre de Moraes votou nesta sexta-feira, 14, para que o Supremo Tribunal Federal (STF) receba a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP). A acusação é de coação no curso do processo por suposta atuação do parlamentar nos Estados Unidos para favorecer o ex-presidente Jair Bolsonaro no julgamento sobre tentativa de golpe de Estado.

 

A análise ocorre no plenário virtual da Primeira Turma, modelo que permite o registro dos votos ao longo de uma semana, sem debate entre os ministros. Com a saída de Luiz Fux, participam apenas Moraes, Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Flávio Dino.

 

No voto, Moraes afirmou que a PGR descreveu de forma detalhada as ações atribuídas ao deputado e apresentou indícios suficientes para abertura de ação penal. Segundo o relator, a atuação de Eduardo Bolsonaro buscou instigar “instabilidade institucional e social” com pressões externas dirigidas ao Supremo.

 

Moraes citou medidas discutidas com autoridades americanas, como suspensão de vistos de ministros e familiares, sanções econômicas e eventual aplicação da Lei Magnitsky como elementos que indicam tentativa de pressão para influenciar decisões no processo que envolve Jair Bolsonaro.

 

O julgamento desta fase não trata de culpa ou absolvição. Os ministros avaliam se a denúncia possui elementos mínimos que justifiquem a abertura de um processo criminal. Caso prevaleça o voto do relator, Eduardo Bolsonaro passa a responder como réu.

 

Na denúncia, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, afirma que o deputado se valeu de uma rede de contatos nos Estados Unidos para tentar paralisar investigações sobre o golpe. Segundo a PGR, houve uso de ameaças e articulação de sanções externas para pressionar o Supremo.

 

O julgamento segue até a próxima semana, salvo pedido de vista ou destaque.

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