
A cúpula do Psol oficializou, na quarta-feira (24), o repasse de R$ 2,3 milhões oriundos do fundo eleitoral para subsidiar a campanha de reeleição da deputada federal Erika Hilton (SP) à Câmara dos Deputados. O montante estabelecido supera em R$ 100 mil o teto fixado para os demais concorrentes do partido que disputam a mesma função e representa um salto de aproximadamente 61,5% se comparado ao R$ 1,4 milhão injetado em sua jornada nas urnas de 2022.
O posicionamento do partido ocorreu exatamente 24 horas após a parlamentar disparar fortes críticas contra o comando nacional da sigla, acusando-o de privilegiar concorrentes brancos e cisgêneros nos repasses do fundo eleitoral. Em comunicado oficial, a agremiação enfatizou que a medida “posiciona a campanha de Erika Hilton como maior investimento entre todas as candidaturas proporcionais do partido”.
A situação ganhou força na terça-feira (23) quando Hilton denunciou que a Executiva Nacional do Psol violou compromissos políticos pactuados anteriormente com expoentes da própria legenda, promovendo uma divisão desproporcional do capital partidário em prejuízo de lideranças negras, trans e vindas de comunidades periféricas.
A insatisfação ganhou maiores proporções com a adesão de Rick Azevedo (Psol-RJ), vereador carioca e postulante a uma cadeira no parlamento federal, que endossou os protestos contra a direção ao tachar de “erro” os critérios adotados para a partilha dos recursos financeiros destinados ao pleito de 2026. Para ilustrar seu descontentamento, Hilton apontou o caso de Juliano Medeiros, comandante da Federação Psol-Rede e debutante na corrida por cargos eletivos, que contava com a projeção de receber fatias orçamentárias equivalentes às dela.
Outro alvo de contestação foi a ex-deputada Manuela D’Ávila, historicamente ligada ao PC do B e que, nas palavras de Hilton, “acabou de chegar ao partido”. Cotada para brigar por uma vaga no Senado Federal representando o Rio Grande do Sul, Manuela teria um orçamento previsto superior ao dobro do que havia sido inicialmente reservado à deputada paulista.
“Respeito a trajetória deles e adoraria vê-los eleitos, mas isso é o privilégio branco e cis sobrepondo tudo: os acordos feitos conosco, cálculos eleitorais sérios”, desabafou Hilton. “A inteligência política passou longe”.
Em contrapartida às acusações de favorecimento, o comando do Psol assegurou que o fomento institucional e econômico voltado a chapas lideradas por mulheres, cidadãos negros, povos originários, comunidades LGBTs e pessoas com deficiência “é uma política consolidada” no cerne da instituição, rechaçando a existência de qualquer debate ou reformulação que vise retroceder nessas garantias.