Fachin quer análise técnica antes de decidir relatoria do caso Dark Horse

O movimento antecede a batida de martelo sobre qual magistrado assumirá a condução dos desdobramentos atrelados ao projeto “Dark Horse”

25/06/2026 às 14h03
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
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Reprodução: Ton Molina/STF
Reprodução: Ton Molina/STF

O comandante do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, acionou o setor de engenharia técnica da Corte na quarta-feira (24) para obter esclarecimentos minuciosos sobre as regras de sorteio e distribuição de ações. O movimento antecede a batida de martelo sobre qual magistrado assumirá a condução dos desdobramentos atrelados ao projeto “Dark Horse”.

A provocação inicial partiu do parlamentar Lindbergh Farias (PT-RJ), que formalizou uma petição para que o ex-mandatário Jair Bolsonaro (PL) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) passem por uma investigação detalhada. O petista aponta potenciais desvios no patrocínio da produção cinematográfica “Dark Horse”, que teria sido custeada por Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.

Na última segunda-feira (22), o ministro Alexandre de Moraes repassou a bola para a presidência do tribunal, cobrando uma definição clara se a relatoria dos autos deve permanecer sob seus cuidados, migrar para André Mendonça ou ser repassada a um terceiro integrante do colegiado. A manifestação de Moraes ganhou força logo após a Procuradoria-Geral da República (PGR) se posicionar a favor de que os requerimentos de Lindbergh fossem encaminhados diretamente ao gabinete de Mendonça, que já gerencia as investigações principais do caso Master.

O Cabo de Guerra pela Condução dos Autos

Existe um visível impasse de competência nos bastidores da Suprema Corte. De um lado, Lindbergh Farias defende a tese de que a denúncia deve ser acoplada a um procedimento investigativo já capitaneado por Alexandre de Moraes. Essa apuração específica esmiúça as tratativas internacionais de Eduardo Bolsonaro em solo norte-americano voltadas a desestabilizar lideranças do Judiciário nacional.

Na trincheira oposta, o chefe do Ministério Público Federal, Paulo Gonet, assinou um relatório recomendando a centralização do tema sob a tutela de André Mendonça. Na ótica de Gonet, a remessa se justifica pelo princípio da prevenção, dado que os fatos relatados na petição já orbitam a malha de apurações supervisionada pelo ministro.

Financiamento Milionário e Ofensiva no Exterior

O escândalo do longa-metragem ganhou os holofotes em maio, quando o veículo jornalístico The Intercept Brasil trouxe à tona que o senador Flávio Bolsonaro teria pedido um aporte de R$ 134 milhões junto a Vorcaro para viabilizar a obra audiovisual sobre a trajetória de seu pai, Jair Bolsonaro. Desse montante, uma fatia aproximada de R$ 61 milhões teria sido transferida entre os meses de fevereiro e maio de 2025.

O parlamentar confirmou a articulação financeira, mas blindou-se de acusações de ilegalidade. Flávio também reconheceu ter se reunido com Vorcaro, em São Paulo,  24 horas após o banqueiro obter alvará de soltura. Por sua vez, Eduardo Bolsonaro eximiu-se de responsabilidade sobre a administração dos repasses milionários na película.

Endossando a gravidade das revelações, Lindbergh acionou o STF argumentando que o capital injetado no documentário biográfico serviu de combustível para estruturar uma “ofensiva internacional” com o claro propósito de descredibilizar os poderes da República brasileira.

Diante disso, o deputado do PT exigiu medidas severas ao Supremo, incluindo:

  • O congelamento patrimonial e de ativos financeiros do senador Flávio Bolsonaro, bem como das firmas associadas à marca “Dark Horse”;

  • O recolhimento compulsório do passaporte do congressista;

  • A imposição de uma barreira legal que proíba terminantemente qualquer tipo de interlocução ou contato entre Flávio e o banqueiro Daniel Vorcaro.

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