Após prisão de vereador do PT, Haddad se manifesta: “Lei é para todos”

O pronunciamento ocorreu na quinta-feira (25), na sede do comitê de campanha, localizada no bairro do Pacaembu, em São Paulo

26/06/2026 às 11h14 Atualizada em 26/06/2026 às 11h15
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
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Reprodução: Ricardo Stuckert / PR
Reprodução: Ricardo Stuckert / PR

Durante o anúncio oficial que consolidou Márcio França (PSB) como vice em sua chapa na corrida pelo governo de São Paulo, o pré-candidato Fernando Haddad (PT) comentou sobre a recente prisão do vereador petista, Senival Moura, seu aliado. O pronunciamento ocorreu na quinta-feira (25), na sede do comitê de campanha, localizada no bairro do Pacaembu, em São Paulo. Haddad enfatizou que o rigor da lei deve alcançar a todos, independentemente de filiação partidária, e que cada indivíduo deve responder por suas próprias condutas.

“Eu já disse reiteradamente o que eu penso de qualquer investigação. Para mim, a questão ética não é uma questão partidária. As pessoas são responsáveis pelos seus atos, têm que ser investigadas na forma da lei, com todas as salvaguardas legais de direito de defesa, tudo que se conhece do direito penal”, disse Haddad no evento.

Na mesma coletiva de imprensa, o postulante ao Palácio dos Bandeirantes cobrou esclarecimentos sobre outras suspeitas no cenário político estadual. Ele citou supostos elos de ligação de integrante do PCC com o fornecimento de wi-fi na gestão de Ricardo Nunes (MDB) e apontou indícios de favorecimento financeiro da gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos) ao banco Digimais, pertencente ao líder religioso Edir Macedo, por meio da liberação de empréstimos consignados para o funcionalismo público.

“Nada se compensa. Tudo que está errado tem que ser investigado”, destacou Haddad. “A lei é para todos”.

Os bastidores da Operação Última Parada

O vereador Senival Pereira de Moura foi alvo de uma ação conjunta entre o Ministério Público e a Polícia Civil paulista, batizada de Operação Última Parada, que investiga a ocultação de bens de origem ilícita oriundos do Primeiro Comando da Capital dentro das empresas de ônibus em São Paulo. Os investigadores apontam o político como o verdadeiro gestor por trás da concessionária Transunião. Além dele, outras duas pessoas foram presas preventivamente no início do dia, enquanto a Justiça tenta localizar mais dois suspeitos foragidos.

Peças do inquérito policial apontam que Senival atuava no topo da pirâmide de comando da organização. Interceptações de conversas indicam que transações bancárias expressivas e rumos comerciais da Transunião passavam obrigatoriamente pelo crivo do petista, mencionado no ecossistema criminoso pelos codinomes de “presidente”, “véio”, “velhinho” e “vereador”. Controles contábeis apreendidos mostram ainda que o político controlava clandestinamente uma frota de 13 ônibus registrados em nome de terceiros ou da própria empresa, com os registros fiscais (CPFs) de sua esposa e de seus filhos vinculados aos ativos.

Os relatórios financeiros revelaram um fluxo monetário superior a R$ 8,7 milhões nas contas do parlamentar entre os anos de 2019 e 2022, sendo que uma fatia de R$ 2,47 milhões carece de justificativa legal ou comprovação de renda. A polícia também sublinhou que o patrimônio imobiliário de luxo do vereador destoa drasticamente de sua remuneração oficial.

De acordo com a acusação, ele era peça-chave para estruturar a engenharia financeira que lavava o dinheiro da facção criminosa. A morte de Adauto Soares Jorge, antigo presidente oficial da Transunião assassinado em 2020, teria sido motivada pela desconfiança de integrantes do PCC de que ele estaria desviando receitas da quadrilha para os bolsos de Senival.

A apuração constatou ainda que funcionários lotados no gabinete do parlamentar na Câmara Municipal exerciam funções simultâneas de liderança operacional na transportadora sob investigação, blindando os interesses privados do vereador. A polícia chamou a atenção para o fato de Senival ocupar posições estratégicas na admistração atual, como a 1ª Secretaria da Mesa Diretora e o comando da Comissão de Trânsito, Transporte e Atividade Econômica, o que lhe dava amplos poderes para fiscalizar e legislar sobre o mesmíssimo segmento de mercado em que sua empresa operava de maneira oculta.

Durante as buscas feitas no escritório político do parlamentar, os agentes recolheram farto material documental e aparelhos eletrônicos relacionados aos fluxos da Transunião, subsídios que fundamentaram o pedido de prisão temporária e as ordens de busca deferidas pelo Poder Judiciário.

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