
Henrique Vorcaro, pai do ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, encaminhou uma carta ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça. No documento, o empresário tece duras críticas às condições estruturais do presídio onde cumpre pena, em Minas Gerais, e sustenta que sua detenção ocorreu "por um total e absoluto equívoco".
O texto, composto por oito páginas e acessado com exclusividade pela Folha, teria sido redigido no dia 19 com o suporte de sua filha, Natália. Relatos de indivíduos ligados aos familiares indicam que a iniciativa de escrever a carta partiu do descontentamento do pai do ex-banqueiro, que se queixa por não ter recebido a oportunidade de prestar depoimento formal no âmbito da ação judicial.
Na correspondência, Henrique rechaça o envolvimento em qualquer ato ilícito. Ele confirma que mantinha contato com Luiz Phillipi Mourão, conhecido pela alcunha de Sicário, porém descarta categoricamente a realização de transações financeiras fraudulentas em parceria com ele. O empresário aproveitou o espaço para relatar um grave problema de saúde sofrido no interior de sua cela no último dia 13, momento em que sentiu o organismo "todo anestesiado", além de "braços completamente dormentes" e "uma dor de cabeça enorme".
"Fiquei apavorado, mas com a graça de Deus, orei e depois de um tempo, passou. Na cadeia não tenho a menor estrutura, se tiver que sair às pressas, tem só uma UPA por perto que não conseguiria me salvar se tivesse um pico de pressão para baixo ou para cima, poderia ser fatal", desabafou.
O executivo encontra-se recolhido na Penitenciária Nelson Hungria, localizada no município de Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, desde o dia 14 de maio. A prisão foi efetuada durante a deflagração da sexta etapa da Operação Compliance Zero, coordenada pela Polícia Federal.
A linha investigativa da PF posiciona Henrique como o suposto líder intelectual do bando denominado "A Turma". Segundo os agentes federais, essa ala teria sido estruturada pelo proprietário do Banco Master com o intuito de encurralar desafetos por meio de coações, ameaças e o desvio de dados confidenciais oriundos da Procuradoria-Geral da República (PGR) e da própria corporação.
Somado a isso, o pai do ex-banqueiro é suspeito de gerenciar as finanças e encomendar ações fraudulentas para uma segunda organização, batizada de "Os Meninos". Esse grupo, integrado por especialistas em invasões virtuais (hackers), tinha como missão remover da internet matérias jornalísticas de teor negativo ao Banco Master, além de injetar recursos para impulsionar mídias favoráveis a Vorcaro.